27.3.08

Dia Mundial do Teatro

Hoje, dia Mundial do Teatro, logo pela manhã recebi esta mensagem via sms que gostaria de alargar a todos - sem excepção - os que me aturam há já algum tempo neste projecto louco, que é o de viver o Teatro! Viva o Teatro! Viva o Quem Não Tem Cão!
" As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade...há gente que fica na história da gente..."
Obigado P... ;o)

PS: Hoje encontro no Bistro pelas 19.30h para jantar; 21.00h inicio da aula aberta na sala polivalente da biblioteca municipal de Rio Maior - entrada livre.

Que venham todos os que vierem por bem!

PP.

25.3.08

Dia Mundial do Teatro

Dia 27 de Março - Dia Mundial do Teatro -Amigos/conhecidos/desconhecidos e afins estão convidados a aparecer na Biblioteca Municipal de Rio Maior pelas 21.00h para participar numa Aula Aberta de teatro "À Descoberta do Actor" dada pelo encenador residente do Grupo "Quem Não Tem Cão".
PS: No fim bolinhos e chá para todos.
Quantos mais melhor ;o)

19.3.08

Chegada da Primavera Celebração da Páscoa

Quem Não Tem Cão, desenvolveu e apresentou - a quem julgou serem os parceiros certos - um projecto fabuloso para a cidade de Rio Maior. Contudo e não obstante a receptividade das entidades contactadas, não conseguimos ainda reunir as condições necessárias para que este projecto - que nos encherá de orgulho - saisse este ano às ruas da cidade. Temos a promessa de que sairá em 2009... a ver vamos!
Lembram-se dos post's aqui publicados dos coelhos, ovos gigantes e flores de várias cores que invadiam as ruas da cidade? Pois é isso mesmo... e mais não digo!
Votos de Boa Páscoa para todos e desejos de que a chegada da Primavera em 2009 traga a ralização de mais um sonho para " O Grupo do Cão".
Eu acredito! :o)
PP

27 de Março Dia Mundial do TEATRO

Um pouco por todo o mundo, a 27 de Março organizam-se diversos eventos para assinalar o Dia Mundial do Teatro.
“QUEM NÃO TEM CÃO - oficina de artistas” junta-se a esta iniciativa mundial e convida todos os amigos, curiosos e interessados na arte da representação, a participar numa "Aula Aberta" a ter lugar na sala polivalente da Biblioteca Municipal de Rio Maior pelas 21.00h do dia 27 -Quinta Feira. Quem não se sentir preparado para fazer a aula - o que será uma pena - poderá simplesmente assistir.
Para quem aceitar o desafio e participar, é obrigatório "trajar" roupa confortavel, para permitir maior liberdade de movimentos.
PS: Com direito a bolinhos e chá.
Vem viver o teatro connosco.
VIVA O TEATRO!
PP

17.3.08

Medo de não envelhecer ao teu lado


Medo.
Eu tenho medo!
Medo de ser triste… infinitamente pó! Só… Dó!
Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Eu tenho medo de ter medo e medo de não ter medo e pousar os pés no chão.
Haaaa! Falta-me o ar! faltam-me asas. Respirar. Eu preciso respirar.
Medo. Aiiii! ... Quem me dera ser uma cor alegre e feliz! E poder gritar sem vergonha!
Ai quem me dera gostar de alguém e rir… fazer um filho e lançar papagaios de papel colorido à beira mar.
Quem me dera correr nú pela avenida numa noite fria de luar, levantar os olhos e cair no aconchego dos teus braços.
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Quem me dera chegar a casa e ter-te à minha espera e não ter medo de acender a luz.
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii! O medo de não envelhecer ao teu lado deixa-me assim.

13.3.08


DIA 27 DE MARÇO DIA MUNDIAL DO TEATRO - O GRUPO DO CÃO ESTÁ A PREPARAR UMA SURPRESA...
Depois conto!..
PP

11.3.08

A Cabra


Chovia lá fora como há muito não me lembro. O frio entrava pela pequena janela que propositadamente deixara aberta apesar da chuva. O Inverno tinha chegado mais cedo. Ao longe, ouvia-se o bater das três horas da tarde. No aconchego dos lençóis permaneciamos imóveis, como quaisquer amantes ressacados duma longa noite de amor e sexo. No quarto, sentia-se um ar pesado provocado pelo fumo dos muitos cigarros que fumámos e pela transpiração dos corpos. Livros de encadernações diversas, encontravam-se espalhados por todo o chão, assim como restos de piza que não tivemos tempo de comer. Ela fazia de propósito, só para me irritar. Eu já nem ligava, queria-a ali comigo, fosse como fosse. Era a primeira vez que passávamos a noite em minha casa depois da decisão dolorosa dela se mudar dali.
Eu estava em paz. Ela, encontrava-se com a cabeça caída sobre o braço, as pernas entrelaçadas nas minhas, como se a um só corpo pertencessem. É tão bom estar assim com alguém! Sentir que não existem segredos ou medos. Saber que quem está ali é só nosso e que está ali porque gosta de nós. Pertence-nos.
Ela mexeu-se. Lenta e demoradamente deslocou o corpo para cima do meu. As pernas separaram-se das minhas. Os olhos dela entreabrem-se. Beija-me. Primeiro no pescoço, depois as orelhas. A carne dos seios esmaga-se contra as minhas costas. Viro-me. Abraço-me a ela. De repente nada acontece! Silencio. Sinto o bater do coração dela a bater no meu. Ouço barulhos estranhos, o estômago dela ronca.
- Estou cheia de fome! Disse ela.
-Chiiiiiiiiu! Não faças barulho. Deixa-me aproveitar este momento aqui contigo. Parece um sonho ter-te aqui deitada ao meu lado. Quem me dera poder ficar assim abraçado contigo para sempre... Disse-lhe.
- Que horror!... Sempre? Sempre é demasiado tempo!... Respondeu-me com um ar demasiado desprendido para meu gosto.
- Estou exausta! E farta de beijos…. Esta noite pareciamos coelhos na Primavera!
- Mas estamos em Novembro “Bébé!” Respondi-lhe sorrindo.
-Ok!. Que importância é que tem o mês? o que importa é a ideia…o que fizemos. E não me chames “Bébé”, sabes que não gosto... Irritas-me quando me tratas assim, fazes-me sentir uma “queque” estúpida e mimada!
- Desculpa! Mas diz lá, esta noite foi tão bom não foi?
- Já tive melhor...!
- O quê? interroguei eu, não estava mesmo nada à espera duma resposta daquelas. Cabra! É impressionante a lata dela... Como é que tinha coragem de me dizer na cara uma coisa destas, depois do que se passou naquele quarto. Eu estava cheio de dores nas pernas e com os joelhos em sangue por causa da alcatifa. Tinhamos posto em acção praticamente todas as posições do kama-Sutra, e no fim... A Cabra vem-me dizer que já teve melhor!
- Só podes estar a brincar... disse-lhe.
- Não te impressiones, afinal não aconteceu nada assim de tão extraordinário… não percebo porque estás assim! Fizemos sexo, sim não foi mau…mas eu nunca te disse que era virgem até te conhecer pois não? - Respondeu-me ela com um ar de esfinge egípcia. Quando ela queria sabia mesmo ser implacável como ninguém... E o pior é que o queria muitas vezes! Cabra!
- Então e os teus gritos os teus “ais” e “uis”, não queriam dizer nada?
- Tudo a fingir… Palermão!
Engoli em seco! - Não vês que me estou a meter contigo? Não te queria zangar - Respondeu ela a rir. - Já amuou foi? Não vês que estava só a brincar, palerminha! - Disse-me ela com ternura. Derreti mas não desmanchei.
Mas como é possível ? Como é que alguém pode ser assim tão insensível? Como podes dizer tais coisas? - Com algum esforço tentei imitá-la no seu pior, tentei ser cruel como ela é tantas vezes para mim. Respirei fundo e respondi-lhe:
- Zangar... tu? não sejas ridícula. Por quem te tomas… a 7º maravilho do sexo?
- Sabes bem que gosto de ti! Disse-me ela. Surpresa das surpresas! Naquele momento não estava mesmo à espera daquilo. Apesar de eu ter gostado e muito do que ela me acabara de dizer, continuei! Gostar era pouco, eu queria mais, merecia mais!
- É sei! eu também gosto muito de Pipocas, de bacalhau à Brás e de champanhe! Respondi-lhe. A grandissima cabra! Custava-lhe muito ter-me dito que me amava, como tantas vezes já lhe disse? Mas não! disse somente que gostava de mim. Assim sem mais nem menos...gostava...!
Cabra... Cabra! Cabra! Cabra! Gostar, foi o termo que utilizou! Nem sequer disse que gostava muito. Limitou-se a dizer que gostava... Gostar?... gostar! Gostar gosta-se de passear à beira mar, de sair com os amigos, de passear o cão, comprar roupa nova... de fazer sexo! de fazer sexo? Sexo? a única coisa que a prendia a mim é o gostar de... Sexo! Não, não pode ser! Ela gosta de mim!??
Pediu-me desculpa. - Desculpa! Desculpas?
- De imediato não consegui responder-lhe, isto é, naquele momento não fui capaz de pensar numa resposta que a magoasse tanto a ela como ela me magoou a mim. Em verdade, também já me era indiferente...Bem indiferente indiferente não seria, mas quase!
Aquela noite já era minha, ninguém ma podia tirar! nem ela... muito menos ela! Tanto me fazia que fosse Novembro, Janeiro, Maio ou Agosto, Inverno, Primavera ou Verão, que chovesse ou fizesse sol. Numa cama não há meses, nem estações do ano. Há prazer! e isso eu tinha tido... E muito! quer ela quisesse quer não. Quer ela tivesse gostado, quer não.
Eu gostei. Ponto!
(excerto de "O Meu Amor é Uma Cabra" de M.C-1996)

5.3.08

"Grupo do Cão" nas Tasquinhas de Rio Maior

Hoje 4º Feira é dia de ensaio e amanhã 5º Feira é dia do "Grupo do Cão" ir jantar às tasquinhas. 20.00h encontro junto à entrada.

4.3.08

...Era sempre eu quem arrumava.

Tudo corria bem, até ao dia em que descobrimos que éramos demasiado diferentes. Nem ela nem eu tínhamos feitio ou maturidade para assumir uma relação assim. Eu amava-a mas não me adaptei a ter de partilhar o meu espaço com alguém tão diferente de mim. Com alguém como ela. A minha Lindinha seria perfeita não fosse tão desorganizada. Rapidamente tomamos consciência que se insistíssemos em viver debaixo do mesmo tecto, com partilha de cama e mesa, acabaríamos inevitavelmente por nos separar pelos piores motivos. E nem ela nem eu queríamos isso. Decidimos continuar a encontrar-nos regularmente mas cada um a viver no seu mundo. Eu na minha casa e ela na dela. Foi uma dor vê-la partir de sacola às costas. Mas tinha de ser, era melhor assim. Eu já me tinha habituado ao hálito dela pela manhã, às duas escovas de dentes em cima da bancada da casa de banho, aos cinzeiros cheios de beatas, aos papelinhos dos pensos higiénicos espalhados pela casa… e a todas aquelas pequenas coisas normais da vida a dois. Mas com a desordem eu não conseguia conviver. Ainda ela não tinha fechado a porta da rua e eu já estava morto de saudades. Uma dor aguda no peito ao ve-la sair. Queria dizer-lhe para ficar. Que eu iria fazer um esforço se ela também fizesse, mas não disse. Ela nunca se conseguiria habituar à minha organização. Fazia-lhe confusão tanta arrumação. Mas comigo é assim, cada coisa no seu devido lugar, fruto de uma educação irrepreensível onde tudo tem um lugar certo para estar e onde nunca se sai de casa sem fazer primeiro a cama. Esta minha obsessão pela arrumação incomodava-a. Eu jamais me adaptaria ao caos em que ela gostava de se movimentar. Para ela uma casa arrumada era uma casa abandonada, triste. Não fazia sentido! Era deprimente, despersonalizada, dizia-me. Mas o que mais me irritava nela, era o impulsivo habito de pendurar roupa nas maçanetas das portas. Eu não conseguia conviver com aquilo. Um estendal de roupa usada por todo o lado. Quando lhe fazia qualquer reparo, costumava responder-me – Não stress, a roupa espalhada dá mais vida à casa, são pequenos apontamentos de cor. Eu depois arrumo! Mentira dela. Era sempre eu quem arrumava.
Depois de ela ter saído de casa, passamos a ir todos os dias a um café simpático na zona mais chique do Bairro. Falavamos muito dos outros e um bocadinho de nós. Às vezes ia-mos ao cinema, comprava mos um pacote de pipocas e ficava mos de mãos dadas no escuro a assistir ao filme. Acariciávamo-nos. Comprometidos riamos baixinho. Depois, normalmente acabávamos junto ao Rio Tejo, a namorar dentro do carro com a ponte 25 de Abril como cenário. Uma paz. Eu adorava contar as estrelas. Ela adorava cantar por cima das minhas musicas. Depois, com a madrugada, vinha sempre a mesma tristeza de a ver partir. Mas eu sabia que tinha de ser assim. Eu sabia que o dia seguinte era outro dia e ela ia estar na mesa do café do costume à minha espera. Na verdade, quem esperava era sempre eu. Mas não importa, porque ela valia a pena. Porque ela era a pessoa que eu amava.
(excerto de "O Meu Amor é Uma Cabra" de M.C - 1996)

28.2.08

As pessoas felizes são mais bonitas

Naquela manhã, quando acordei, a primeira coisa que fiz foi correr para a frente do espelho para ver como era a minha cara feliz. Já nem me lembrava de como bonito era. As pessoas felizes são mais bonitas. A cara parecia-me a mesma, mas eu estava diferente. Estava feliz. Eu tinha encontrado a pessoa certa. Aquela pessoa que me fazia feliz por dentro.
Eu só queria sentir o coração dela bater junto ao meu peito. De dia, de noite, a chover ou com sol, eu só queria tê-la ao meu lado. Eu só desejava tê-la á minha frente e poder olhar e contemplar a sua beleza, os olhos, a boca, o sinal por baixo da orelha….tudo! Ela era tão bonita. Apaixonar-me por alguém assim, fez-me voltar a gostar de mim.
Depois daquela noite, passámos a encontra-nos com frequência em minha casa. O tempo nunca chegava para fazer tudo quanto queriamos. Também não havia pressa. Normalmente faziamos sempre a mesma coisa. Conversar, pouco!. Eramos mais do género de ficar o dia inteiro na cama, fazer amor, comer bolachas, ver revistas cor de rosa e à noite, costumavamos assistir com entusiasmo aos filmes do canal 18. Encomendavamos piza, trocámos beijinhos e carinhos e fazíamos sexo. Depois, mais tarde, voltavamos a fazer amor! Era inevitável! As coisas do sexo entre nós corriam tão bem que não valia a pena adiar por mais tempo. Ao décimo oitavo dia de encontros regulares, decidimos que ela iria viver para minha casa. As coisas assim tornavam-se mais fáceis. Ela ali, sempre juntinho a mim. Um conforto! Os nossos primeiros dias de experiência de vida a dois, eram passados exclusivamente a comer ver televisão, comer, fazer amor, comer! E era tão bom passar os dias assim!
Entre nós tudo se havia precipitado rápido demais. Era tudo muito intenso. Eu amava-a mais que tudo na vida. E ela, eu desconfiava que também gostava de mim.
(fragmento de "O meu amor é uma cabra" de M.C. 1996)

27.2.08

isso era:
AMOR
amor
amor
amor
amor
amor

25.2.08

Partida I - A Foto

E se de repente - em vez de bofetadas - um desconhecido lhe oferecesse flores?
Isso era...

19.2.08

Maravilhosa criatura! Sabe bem ter-te por perto...

18.2.08

O 1º Beijo

- Podem ficar aqui? Perguntou o homem do taxi.
- É aqui? É aqui que moras?- Perguntou ela. Respondi-lhe que sim. Pedi-lhe para me ajudar a sair. Pagou o taxi. Como menina bem educada e atenciosa subiu comigo. Convidei-a a entrar. Ela aceitou. Já em casa sentámo-nos no sofá da sala.A custo, tentei escolher uma música agradável, ia ser a nossa primeira musica. A musica do nosso primeiro encontro a sério. Exigiam-se cuidados redobrados na escolha.
- Está muito calor não está?
- Sim é verdade, está muito calor. - Respondi-lhe.
My way. A Voz! Exclamou ela. Quietos, ficamos a ouvir, eu sentado no sofá e ela sentada ao meu lado. Estava tudo perfeito não fosse aquela sensação estranha de parecer que tinha comido papel... língua de cortiça! Vou beber um copo de água gelada. Não há nada melhor para matar a sede do que um copo de água gelada. Queres?
-Um beijo...? Quero que me beijes! Respondeu-me ela.
- Um beijo murmurei eu. Ela era rápida e isso agradava-me! Abençoado Frank! Os meus joelhos tremiam um bocadinho. Devia ser dos efeitos secundários do álcool. Descontrai, descontrai, vá! vá! beija! beija! Este não é o teu primeiro beijo porquê tantos nervos! Pensava eu enquanto aquela boca deliciosa se aproximava da minha. Ela aproximava-se num movimento tipo câmara lenta. Pelo menos era o que me parecia. Uma tortura. Eu sentia a minha boca cada vez mais seca. Finalmente um toque e logo a seguir o Beijo!
A minha cabeça ficou vazia. Senti-me leve. Não foi um beijo qualquer, foi o nosso primeiro beijo. Aquele momento foi muito mais do que um primeiro contacto sensual de duas pessoas que se tocam pela primeira vez, foi muito mais do que o sentir dos lábios. O nosso primeiro beijo foi pura emoção.
Pela primeira vez experimentei beijar alguém que amava. Era uma sensação única que não conseguia explicar. A minha alma encheu-se de vida. Aquele beijo foi especial, muito mais intenso do que todos os beijos que já dera antes. O nosso 1º beijo foi tão especial que nem à hora da morte esquecerei um beijo assim.
Estaria a sonhar? Perguntava-me baixinho. Bastou-me contudo abrir os olhos por um momento para perceber que não. Era verdade. Ela estava mesmo ali a beijar-me. Mesmo assim belisquei-a para tirar a prova dos nove.
- Aiiiiiiiiiii! Disse ela. – Ok. Não subsistiam mais dúvidas. Era mesmo verdade! A minha Lindinha, em carne e osso, estava ali comigo e era sensível ao meu toque. Aquele Aiiiiiii! Não o desmentia. O corpo que desejava há tanto tempo esmagava-se agora contra o meu num forte e vigoroso abraço. Os nossos corpos começavam a contorcer-se, inicialmente em movimentos lentos, depois…descontrolados. Entre beijos e carinhos fundimo-nos num só corpo. As minhas mãos descobriam todas as curvas e contra curvas daquele corpo.
Foi ali, com a boca encortiçada que descobri o melhor que existe dentro de mim. A capacidade de Amar. De amar incondicionalmente. Era assim que eu a amava.
Pela primeira vez na minha vida os meus lábios pronunciaram a palavra Amo-te.
-Amo-te!
Eu tinha sido verdadeiro. Humano. Sem qualquer receio de parecer ridículo ou frágil. Amo-te…! amo-te…! amo-te…! Repeti insistentemente enquanto nos beijava-mos.
Durante algum tempo nada mais dissemos. Apesar de não o demonstrar, eu esperava uma resposta da parte dela. Em verdade eu não lhe tinha perguntado nada, só lhe dizia amo-te! Mas achava que tanta sinceridade da minha parte merecia uma resposta do genero: Eu também te amo.
Mas não. Sem nada dizer, limitou-se a apertar-me com os braços com toda a sua força. Era como se receasse perder-me. Enrolamo-nos de forma a conseguirmos tocar todas as partes do nosso corpo. Eu correspondia à sua plena oferta, enquanto ela, cada vez se envolvia mais no meu corpo. Apesar das dúvidas e receios acerca dos seus reais sentimentos, decidi aproveitar aquele momento como se fosse o ultimo. Naquela madrugada, nos braços dela fui feliz como nunca tinha sido antes e senti aquela felicidade que só quem ama conhece.
(Fragmento de "O Meu Amor É Uma Cabra" de M.C. 1996)

13.2.08

Em vespera de S. Valentim homenagem à actriz - Adelaide João/Lai Lai - e ao seu AMOR incondicional pelo TEATRO




A Actriz Adelaide João na "construção" e no fim da actuação da personagem Maria Parda de Gil Vicente, no espectáculo "Blue" exibida em Setembro de 2007 no cine teatro de Rio Maior.

8.2.08

Afectos II









A bebida a mim dá-me coragem

Pela primeira vez em cinco meses, sai de casa sem que o único propósito fosse o de a encontrar. A noite estava quente e eu queria-me divertir! Andei por muitos sítios que já nem me lembro. Tinha bebido demais. Começava a sentir a cabeça pesada e a língua meia enrolada. O vinho. O vinho branco faz-me ficar sempre assim! Já me devia ter habituado.
Preparava-me para pedir mais uma bebida ao rapaz do bar, quando... Era ela! Ela estava ali. A minha Lindinha, estava ali no mesmo bar que eu. Logo naquele dia! Logo naquele dia que nem me vi ao espelho antes de sair de casa. Ela estava linda. Continuava linda. Eu estava assim assim. As coisas pareciam-me correr bem, ela olhava para mim. Será que era porque eu ainda não tinha parado de olhar para ela?
Peguei no copo, acendi um cigarro e dirigi-me a ela. Bem! Não foi bem a ela. Com rigor foi na sua direcção. Ela estava encostada à parede e eu, encostei-me também. Ela abanava o corpo ao ritmo da música. Eu, mexia-me para cá e para lá, conforme podia e sabia. Estávamos lado a lado. Estávamos tão perto que bastava um empurrão para que eu a tocasse. Estava ali tanta gente alegre e divertida, a mexer-se de um lado para o outro, que a perspectiva de levar um encontrão não me parecia nada difícil. Um encontrão era o que eu precisava. Eu bem me esforçava mas todos pareciam estar empenhados em não se chegar ao pé de mim naquele momento!
Um quarto de hora depois continuava tudo na mesma. Ela encostada à parede, e eu a seu lado de copo na mão. Abanava-me, levava o copo à boca e de vez em quando simulava um brinde com um amigo imaginário. Sorria com o olhar fixo na coluna no fundo, fingindo estar a cumprimentar alguém - É um truque que uma amiga me ensinou para quando estamos sozinhos e queremos impressionar - Não queria que ela pensasse que eu não conhecia ali ninguem. Eu tinha de causar a impressão que conhecia ali imensa gente! Que era um verdadeiro “ser social“. Eu tinha de parecer super interessante, super na moda. Eu tinha de criar nela a vontade de conhecer este ser fantástico... ou seja eu!
Como ninguém tomava a iniciativa de me empurrar, tomei eu. Desavergonhadamente, fiz-me tombar para cima dela. Já está! Pensei eu. Agora é que era. Ia finalmente falar com ela.
- Desculpe! - Disse-lhe.
- Se não aguenta a bebida o melhor que tem a fazer é não beber para não incomodar os outros! Respondeu-me ela secamente.
- Mas empurraram-me...não viu? - Tentei explicar. Ela não parecia muito interessada. Saiu dali e dirigiu-se à pista. Eu fui atrás dela, mas primeiro passei pelo bar e pedi mais um copo. A bebida a mim dá-me coragem. Bebi tudo rapidamente. Coloquei-me estrategicamente a dançar à sua frente. Dancei uma, duas, três musicas sem nunca tirar os olhos dos dela. De vez em quando ia ao bar, era um intervalo para recuperar forças e ganhar mais coragem. Ela começava a dar sinais de fraqueza, esboçou um sorriso. Eu ria sempre. Bebi mais quatro ou cinco copos. Após isto, daquela noite só me recordo de estar dentro de um táxi com ela. Nem queria acreditar, ela estava sentada a meu lado. Seria da bebida? Estaria a alucinar? Não, era real. Ela estava mesmo ali e a dar-me palmadinhas na cara e a empurrar-me violentamente contra a porta enquanto dizia - chega-te para lá imbecil!
Derreti-me! Tão amorosa que ela ficava ao meu lado e a chamar-me nomes.
- Onde é que moras? Onde é que moras? Não me ouves? - Perguntava ela. É claro que ouvia. Apesar de sentir a cabeça um tanto baralhada, indiquei ao taxista o caminho mais longe para chegar a casa. Durante a viagem consegui encostar a cabeça no ombro dela e depois, feliz, fingi que estava a dormir.
(extracto de "O meu amor é uma cabra" de MC 1996)

Afectos I


31.1.08

rojo rosso rouge encarnado red

É força, energia, virilidade, masculinidade, dinamismo.
É uma cor exaltante e até enervante.
É uma cor essencialmente quente, transbordante de vida e de agitação, é desejo, paixão, pecado. É o sangue que se transforma em vinho na mesa do senhor.
É a cor do fogo
e da dor, é a cor do Coração.

29.1.08

Carnaval é no Rio!

A tradição mantem-se!
Este ano o carnaval volta a ser no Rio. Segunda Feira 04 de Fevereiro jantar de carnaval para todos os que quiserem participar, num restaurante da cidade de Rio Maior - Fortaleza - pelas 21.30h. Após o jantar - onde todos tem mesmo de estar mascarados - segue-se a folia nos bares e bailaricos locais!

PS- É obrigatório aparecer mascarado!

Confirmações de presença - para efeitos de marcação de restaurante - com PP ou através dos comentários deste blog!

Saudações Carnavalescas
RG

23.1.08

O jogo - sequencia



Adelaide João in Casino Lx numa produção de PP :o)

21.1.08

E se de repente, durante a noite, todas as ruas da cidade fossem invadidas por espantalhos e bonecos de trapo?

16.1.08

RECADO - Aula de hoje cancelada

Hoje, por impossibilidade de agenda do formador, está cancelada a habitual aula das quartas feiras. Continuamos para a semana.
Saudações teatrais
RG

15.1.08

Ninguem nasce puta!

- Já comeste alguma coisa?- Perguntei-lhe. Prontifiquei-me a pagar-lhe qualquer coisa para comer. Ela não recusou.
- Entrámos numa tasca de aspecto duvidoso ali mesmo ao lado. Sentámo-nos na mesa quadrada do fundo, mesmo em frente à televisão. Entre nós, um silencio incómodo. Ficamos sem falar a 1º parte inteira do concurso de prémios fabulosos que passava na tv. Ela era bonita. Eu pelo menos naquele momento achei-a . Tinha um rosto onde se lia uma vida. Cada traço, cada expressão revelavam uma vida que não se escolhe ou quer. Que acontece e pronto.
Não te preocupes que amanhã, se a noite hoje me correr bem pago-te. Disse-me. Não te preocupes com isso, respondi-lhe. Foram as primeiras palavras que deram inicio a uma conversa que se prolongou noite dentro. Falámos dela, de azar, de sorte e do destino. Falámos da vida. Da vida dela, que eu cá sou do género mais reservado. Contou-me que já tinha dormido em bancos de jardim e em escadas de prédios. Que já tinha feito velhos, mulheres, bêbados e doutores. A miséria faz-nos fazer coisas de que nem suspeitamos ser capaz, acrescentou. Eu acreditei.
Ser “puta” foi a única alternativa que conheceu. Bem podemos questionar mas às vezes é mesmo assim.
As primeiras vezes foram as que custaram mais. Inexperiente, sem saber nada, foi muito dificil. Depois, tornou-se uma forma de ganhar a vida como qualquer outra. – Só custam as primeiras vezes. Agente depois habitua-se! - Disse-me.
Há cinco anos que estou na vida, não me queixo, conformei-me com o meu destino. Longe vão os tempos em que sonhava sair da rua, casar vestida de branco com um homem bom, que me desse amor carinho e uma casa onde pudesse ter louça bonita espalhada pelos móveis. Gostava de ter uma casa cheia de louças de muitas cores e porcelanas finas.
-“Está na hora .Vamos fechar” Interrompeu o dono da tasca gritando atrás do balcão. Paguei a conta e saímos. A rua estava movimentada e a noite bonita. Estava noite de Lua cheia. Puxei pelo maço de cigarros. Tirei dois, um que acendi e outro que guardei para fumar mais tarde. Entreguei-lhe o resto do maço. Ela aceitou. Preparei-me para me despedir. Ela, antecipou-se, agarrou-me no braço. - Obrigada, obrigada por tudo! Disse-me. - Não tem nada que agradecer, respondi. Sorriu sem graça. Em silencio dirigiu-se para a porta nº 7, disposta a aturar e a abrir as pernas aos gajos de todos os dias em troca de uns dinheiros.
Desci o largo do poeta. Estava frio. Cumprimentei o senhor de laço e chapéu que sempre encontro na esplanada. Aqueci as mãos com um sopro de ar quente e arrumei-as nos bolsos.
Lá longe o Tejo. Um novo dia nascia. Alheias a tudo isto, entregues à vontade do vento as gaivotas dançavam no céu lançando gritos aflitos que me pareciam de dor. Não se via por ali ninguém. Momento de feliz solidão aquele. Pensei na minha vida e na sorte que tive e tenho.
Hoje, graças à minha amiga eu respeito muito mais a classe. É que ninguém nasce puta!
M.C 1996 - excerto de "O meu amor é uma cabra"

14.1.08

E se de repente, durante a noite, a cidade fosse invadida por coelhos gigantes e marotos?

10.1.08

Reis e Rainhas em jantar de Natal - as imagens possiveis













Neste já tradicional Jantar de Natal em dia de Reis, participaram praticamente todos os membros da familia real do maravilhoso mundo do "Cão". Infelizmente a máquina não registou todos os reis e rainhas que acederam ao convite de jantar, porque a bateria acabou inesperadamente. Ficam estas fotos para desvendar um pouco do que por lá se passou e a esperança de que para o ano sejamos muitos mais.
saudações teatrais

RG


8.1.08

E se de repente, durante a noite, a cidade fosse invadida por ovos gigantes de todas as cores?

Jantar de Natal em Dia de Reis


Maria da Luz, Claudia e Ana Canadas

26.12.07

Jantar de Natal em dia de Reis

O Jantar de Natal do "Teatro do Cão" é em dia de Reis
6 de Janeiro Restaurante "A Fortaleza" pelas 20.30h
Reservas pelo 96 792 6002, com a Otilia e ou com o Rui
Estão todos convidados - é obrigatório o uso de uma coroa

Parabens Alexandra



A Alexandra fez anos no passado dia 19 de Dezembro - dia da nossa ultima aula de 2007. Quem Não tem Cão deseja-lhe muitas felicidades e sucessos profissionais pessoais e porque não teatrais! A Xana diz que não quer ser actriz mas... quem sabe...! 2008 dir-nos-á!
Uma coisa é certa, a Alexandra já ganhou um lugar especial no Grupo do Teatro do Cão. Venham mais como ela. Venham todos os que vierem por bem.
Beijos, canções e emoções com uma lista em "V" nas costas para todos.
PP

21.12.07

Boas Festas

Como já aconteceu o ano passado, o nosso jantar de Natal é dia 6 de Janeiro - dia de Reis - no restaurante a fortaleza pelas 20.30h.
É para todos os que quiserem aparecer - é obrigatório levar uma coroa, de ouro, de papel, de plastico, tanto faz. Sejam imaginativos e surpreendam!
Por ora resta-me desejar a todos os amigos e visitantes deste blog boas festas e um Feliz ano novo cheio de sucessos pessoais, profissionais e teatrais.
E não se esqueçam que o melhor...ainda está para vir!
Até 2008
PP

12.12.07

A minha amiga "puta"

Durante todo este tempo não passou um dia sequer, sem que eu não tivesse pensado nela. Todos os dias à mesma hora, como se de promessa se tratasse, passava pela rua onde a vi pela primeira vez.
Não há tasca, restaurante, casa de fados ou beco no Bairro do Amor que eu não conheça. Até já as putas me olham com desconfiança. Excepto uma, a da porta nº 7. Chama-se Maria Odete de não sei o quê. À minha passagem, todos os dias me pedia um cigarro num gesto demorado. Eu, dava-lhe dois, em movimentos rápidos e inseguros. Com o passar dos dias, os meus gestos ficaram cada vez mais seguros. O tempo deu lugar à troca de algumas palavras de agradecimento e depois a algumas frases curtas.
- Arranjas-me um cigarro? “Fixe! Dois”. Amanhã passas cá?.
- Gostava de não passar...
Repetimos este dialogo sem acrescentar uma palavra, sem alterar um gesto vezes sem conta. Tudo se passava rigorosamente assim. Igual.
Um dia, ao passar em frente da porta nº 7 como sempre fazia, já com os dois cigarros na mão prontos para lhos entregar, em vez de em pé como sempre a tinha encontrado, na sua irepreensivel postura de “puta”, Maria Odete estava sentada no degrau do portal, com os braços enrolados em volta da barriga e a cabeça aconchegada no meio das pernas. Silencio.
- Então, hoje compraste tabaco? - Perguntei a medo.
- Não. É que...A noite ontem correu-me mal... - Disse-me ela sem levantar a cabeça. Desci ao nível dela. De cocaras perguntei à minha amiga “puta” o que se tinha passado na noite anterior. Foi então que, levantando a cabeça, me contou que um filho da mãe, que bem se podia considerar filho dela, a havia levado para o carro e a tinha maltratado. As marcas no corpo dela não o desmentiam.
-Já foste à Policia?- Perguntei eu ingenuamente. Respondeu-me que as “putas” não são bem recebidas na Policia.
- Os policias só gostam de “putas” quando despem a farda.- Acrescentou.
- Mas tu...Tens de fazer qualquer coisa, sabes quem foi não sabes? Insisti.
- Mas em que mundo é que tu vives? Eu sou uma “puta”! estás a ver? –Levantou-se. - Olha bem para mim! uma “puta”! Eu sou uma “puta”! - Disse-me com a voz alterada, enquanto batia com força com as mãos cerradas no peito. Calei-me. Voltou a sentar-se. Deu-me vontade de a abraçar. De lhe dizer que não voltará a acontecer. Não fui capaz.
(MC 1996)

4.12.07

Os primeiros passos

Foi com este grupo de pessoas - que tiveram a coragem de se inscrever no primeiro workshop de iniciação ao teatro - que este projecto "Quem Não Tem Cão" deu os primeiros passos. Otilia, Daniel, Rita, Joaquim, Luz, Bruna e Ana...Parece que foi ontem que nos juntamos pela primeira vez no Ginasio Boa Forma. Lembro-me da vergonha que a maioria sentia na altura dos exercicios. E o toque. Era tão dificil tocar e ser tocado. Os abraços! uma sensação estranha.
Tanta coisa mudou desde esse primeiro dia. Tanta coisa já fizemos e aprendemos juntos! Durante estes anos, outros já se juntaram a nós. Outros já se despediram de nós. Devagarinho, inconscientemente e porque ha entre nós quem ame o TEATRO, lá fomos construindo o nosso caminho, ganhando o nosso lugar, o nosso publico, os nossos amigos. Construimos uma familia! Uma familia que como todas as que conheço, tem os seus problemas, as suas alegrias, decepções... Não há familias perfeitas. Hoje, olhando para trás, muitas vezes dou por mim a pensar: E agora? qual é o passo seguinte? Tem días que não tenho dúvidas...outros há...que é só o que tenho. O teatro tem a capacidade de mudar-nos por dentro. De nos mostrar mais como somos de verdade. Sem mascaras, sem rede. Saibamos aproveitar o que o Teatro nos oferece, porque o melhor...o melhor ainda está, seguramente para vir!
RG