21.5.08

Breve retrospectiva em vesperas de estreia

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Cinco Mulheres, um Travesti e a Namorada de Uma Delas




Azul

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Blue


20.5.08

Parabens a voce!

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O Osvaldo faz hoje anos.
De todos os colegas e amigos da " Companhia do Cão" votos de muitos sucessos profissionais e pessoais.

Já agora, que o teu próximo trabalho seja um sucesso. Tu mereces e nós - acho - tambem!

Parabens Osvaldo.
Obrigado osvaldo!

Quem Não Tem Cão

A Gorda - Ensaio

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PP - Desabafo - Aiiiiiiiiiiiiiiiii

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Ajudem-me! Ajudem-me...
Eu tenho medo de ter medo e medo de não ter medo e pousar os pés no chão. Aaaaaaaiiiiiiiiiiii… falta-me o ar! Respirar. Eu preciso respirar. Faltam-me asas. Aaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiii!
Ajudem-me! Ajudem-me!

Fãs - Sessão de autografos

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Ensaio

Guilherme Barroso e Claudia Suzano


Guilherme Barroso, Otilia Germano e Claudia Suzano


Otilia Germano e Osvaldo Canhita




16.5.08

"Eu gostava de te ver nua! Se te despires eu dispo-me."

Moradores do "Bairro Solidão" invadem a cidade este fim de semana.

O nosso cartaz está lindooooooooo!
E os postais?
Alguem já viu os postais?

Já temos cartaz...

13.5.08

O trabalho que não se vê!

Adelaide João - leitura de texto

12.5.08

Bairro Solidão - Agenda de ensaios

19.05.08 - 2ª Feira
20.30h - ensaio (personagens) - Cineteatro

20.05.08 - 3º Feira
21.00h - ensaio personagens - Ginasio Boa Forma

21.05.08 - 4ª Feira
20.30h - ensaio de luz e som - Cineteatro

24.05.08 - Sábado
14.30h - ensaio - Cineteatro

26.05.08 -2ª Feira
21.00h - ensaio - Cineteatro

27.05.08 - 3ª Feira
21.00h - ensaio ppersonagens - Ginasio Boa Forma

28.05.08 - 4º Feira
20.30h - Ensaio Geral - Cineteatro

30.05.08 - Sexta Feira
21.30H - Estreia "Bairro Solidão" Cineteatro
(...)

9.5.08

Teatro nas XV Jornadas da Escola Profissional de Rio Maior


Na foto, alguns dos Alunos e professoras da Escola Profissional de Rio Maior que se inscreveram e participaram na aula de teatro, inserida no programa das XV Jornadas Profissionais daquele estabelecimento de ensino.
A quem teve a amabilidade de nos contactar e promover esta iniciativa levando o TEATRO até à Escola, os meus agradecimentos, pois proporcionaram-me uma tarde muito agradavel na vossa companhia!
Escondem-se grandes talentos por ali!
Viva o Teatro!
RG

8.5.08

Ainda sobre a aula aberta por ocasião do dia mundial do teatro vejam o que descobrimos... sob o olhar da Rufiazinha em:

http://rufiazinha.blogspot.com/2008/03/27-de-maro-dia-mundial-do-teatro.html

7.5.08

A j u d em - m e!!!!!
ajudem-me... ajudem-me!

5.5.08

Bairro Solidão

"…Contigo é tudo mau! Até o sexo é péssimo."

2.5.08

Na mesa do café do costume


No dia seguinte, na mesa do canto do café do costume e como era habitual, tomavamos, eu um chá preto, ela um café que insistia em mexer até entornar. Aproveitando uma pequena distracção minha, ela mergulhou a ponta do dedo indicador na chávena de café para de seguida mo passar lentamente pela cara.
Estás parva? Disse-lhe eu embora não conseguisse esconder o meu agrado pela brincadeira. Ela sabe que eu gosto deste tipo de jogos e não perde uma oportunidade de me provocar, de me desafiar. Normalmente estes jogos entre nós acabam em discussões que invariavelmente se resolvem na cama.
- Sabes, hoje fiz um poema a pensar em ti. Disse-me ela de sorriso maroto enquanto fazia descer o dedo até à minha boca.
- A sério?
- Sério.
- E fala do quê?
-… de nós, de ti de mim…Queres que to diga?
- Adorava.
- Mas prometes que não te zangas comigo?
- Claro que prometo, porque me haveria de zangar?
- Ela fez um ar sério, respirou fundo e de voz colocada disse:
“ À meia luz te vi,à meia luz te amei e foi à media luz que à merda te mandei”
- Gostas-te? Reparas-te na rima? - Perguntou-me ela enquanto se ria desalmadamente… eu estava sem palavras. Senti-me ridículo, gozado…e não achei graça nenhuma à brincadeira. Sem saber o que lhe dizer ou fazer limitei-me simplesmente a dizer-lhe - Vai à merda!
- Não digas isso! Tu não dizes isso. Essas palavras não te ficam bem, não vão com o teu tipo de pele... Tu amas-me! sou a mulher da tua vida...Não consegues viver sem mim pois não? Perguntou-me ela enquanto me tapava a boca com uma das mãos, de forma a não me deixar responder.
Eu sacudi-a. Afastei-a de mim e levantei-me da mesa demonstrando-lhe o desprezo próprio de quem está apaixonado e não quer partir. Eu tinha de tomar uma atitude, salvar o pingo de amor próprio que ainda me restava. Peguei no caderno de capa preta que sempre me acompanha e virei-me pronto a ir embora. -Vou-me embora! Há! é verdade! Desta vez para variar pagas tu a conta. Disse-lhe tentando não revelar qualquer tipo de emoção.
- Não! Não vás! Volta aqui, estava a brincar... disse-me.
- Não vás, foi uma estupidez minha… mais uma estupidez minha…! Porque será que eu faço sempre tudo ao contrário do que gostava de fazer ou dizer… Não vás! senta-te vamos conversar. – Eu nunca a tinha visto assim neste registo. Ela pareceu-me tão sincera, tão verdadeira. Repensei a minha atitude. Voltei a sentar-me. Só porque ela pediu! Mentira! O certo é que eu não tinha vontade nenhuma de me ir embora e deixar as coisas entre nós naquele ponto. Fiz um ar amuado como só eu sei fazer e fiquei à espera que ela me disse-se qualquer coisa.
Nos primeiros 4 minutos ela não disse nada. Depois, discretamente pegou-me carinhosamente na mão apertando-a com força. Ficámos de mãos dadas em cima da mesa. Corei. Aquela agarrar de mão parecia dizer que ela me pertencia. Senti-me feliz por isso. As mãos dela eram perfeitas, macias. Os dedos, longos e esguios. É engraçado como podemos gostar de uma pessoa pelas mãos. As mãos podem-nos dizer muito acerca dum indivíduo. Se os olhos são o espelho da alma, pode-se dizer que as mãos são a expressão dos sentimentos mais escondidos dela. A forma como se mexem, a temperatura, as unhas, são tudo indicadores da personalidade. Há mãos que mesmo de Inverno são quentes, outras há, que são sempre frias, gélidas. Há mãos secas, enrugadas, húmidas ou peganhentas. Há-as gordas, magras, esqueléticas, carnudas, ossudas, calejadas, aveludadas. Há mãos discretas, envergonhadas e há as que nos apalpam e apertam duma forma indecente mas prazerosa. Há as sinceras e as hipócritas que se movimentam e exibem em poses previamente estudadas. Mas as mãos dela são diferentes de quaisquer mãos que toquei. As mãos dela não cabem em nenhuma destas categorias. Pertencem a uma outra categoria, a categoria das mãos magnéticas. O simples contacto com aquelas mãos perturba-me por completo todo o sistema nervoso. É engraçado como um gesto tão simples como o toque tem o poder de me incendiar por dentro daquela maneira.
Foi a primeira vez que ela me fez uma manifestação de carinho em público. E eu, pela primeira vez na vida tinha sentido o tempo parar à minha volta. Houve magia naquele momento. Foi tão bom! Foi uma manifestação de amor pura e doce. Nem sequer foi preciso ela dizer que me ama. Eu senti que sim, só quem ama verdadeiramente toca assim. Só quem se sente amado e ama como eu a amei naquele momento tem a capacidade de parar os ponteiros do relógio.
Ali mesmo naquela mesa do café do costume, no meio da confusão dos pasteis de nata, das bolas de berlim e dos queques, descobri que o que existia entre nós era mais forte e intenso do que eu alguma vez poderia ter imaginado. Senti que aquele arrepio no estômago que não se descreve só pode querer significar uma coisa, Amor. O que eu sentia por ela era amor. Ela era sem dúvida o AMOR da minha vida. Comovente aquele momento que guardo até hoje só para mim.

(excerto de "O meu amor é uma cabra" de MC. 1996)

30.4.08

“Bairro Solidão”

“Bairro Solidão” 30,31 de Maio 21.30h e 8 de Junho 17.30h – Cine Teatro Casa da Cultura de Rio Maior.

29.4.08

Bairro Solidão

Bairro Solidão 30,31 de Maio 21.30h e 8 de Junho 17.30h – Cine Teatro Casa da Cultura de Rio Maior
“…Quando eu era pequena queria ser uma grande bailarina e ir dançar para Paris.”

27.4.08

Anjos Marginais - fotos de cena

Francisco Areosa e Ricardo Abril
Osvaldo Canhita e Adelaide João
Guilherme Barroso e Mafalda Matos

26.4.08

Bairro Solidão

Bairro Solidão
30,31 de Maio 21.30h e 8 de Junho 17.30h – Cine Teatro Casa da Cultura de Rio Maior


Bairro Solidão é a nova peça escrita e encenada por RG para Quem Não Tem Cão – Oficina de Artistas.
Uma casa, duas casas, sete casas, um banco de jardim, uma rua, uma praça. No Bairro Solidão mora todo o tipo de gente. Gente que chega e gente que parte carregando os segredos e as fragilidades próprias de quem vive rodeado de pessoas mas se sente sempre só. Neste Bairro Solidão nada de intimo se partilha, tudo é falsamente perfeito, falsamente esquecido. Desencontros, violência, amores, desamores, abandonos, sonhos realizados ou desfeitos são o dia a dia dos moradores deste Bairro que deambulam pelas suas histórias que se cruzam entre si. Bairro Solidão é uma história sobre segredos, a resistência e a capacidade do ser humano se auto regenerar. É uma peça sobre a vida e a morte tal qual a conhecemos nos dias de hoje. Afinal nascer não é complicado e morrer é muito mais fácil quando se está só.
Bairro Solidão um espectáculo inquietante a não perder.

17.4.08

Depois do ensaio...

Osvaldo Canhita e Adelaide João

R.G. e Adelaide João

15.4.08

Mata-me!

Aproveitámos o facto de estar ali no quarto de banho, como ela gostava de lhe chamar, para entrar na banheira e tomar um longo banho perfumado. Relaxe.
Mais uma vez pasmei-me a apreciar o corpo dela. Conheço cada sinal, cada borbulha, cada curva daquele corpo. Os pés perfeitamente esculpidos, os joelhos, o umbigo e o rabo!... Tudo nela é perfeito. Já quase me tinha esquecido de como o rabo dela era bonito e redondinho. De fazer inveja a qualquer preta boa! Era um rabo simpático, bem disposto!... Gostava de brincar com ele, de o acariciar, de lhe dar beijinhos, palmadinhas, de o morder... Achava piada ver a marca dos meus dentes naquelas nádegas! Aquele rabo fazia-me rir. Fazia-nos rir!
Ela costumava dizer que eu tenho tendências “sadocas”. Nunca quis pensar muito no assunto, mas lá que às vezes me apetecia dar-lhe uns valentes bofetões, lá isso é verdade. Alturas houve em que lhos cheguei mesmo a dar e ela gostava, eu sei que sim! Na verdade, ela gostava mais de apanhar do que eu de bater. Naquele dia, após tudo o que já haviamos feito, ela pediu-me que eu a esbofeteasse. Pasmei. Pensei que estivesse a brincar comigo, era a primeira vez que alguém me pedia tal coisa.
- Porque esse ar? Não há nada mais estimulante que uma luta. O jogo de força. Murros e bofetadas excitam-me. A luta entre dois amantes é o melhor afrodisíaco, faz-me ferver o sangue... vá, bate-me! Bate-me! Implorou ela.
Sem saber muito bem o que fazer, com alguma dificuldade acedi ao seu pedido. Lembrei-me da cena de um filme de bolinha vermelha no canto superior direito do televisor, que vira à muito na T.V…
- Vá bate-me! Bate-me, bate-me com força!
- Lentamente e a custo, levei a mão acima e comecei a bater, mas os meus bofetões não passavam de caricias. Eu gostava tanto dela que não suportava a ideia de a poder magoar, de a ver sofrer, de lhe causar dor. Ela era tão bonita! Um corpo assim não podia conhecer a dor.
- Com força! força... Cabrão! bate-me com força! Insistiu ela. Bati-lhe uma... duas, três… dez vezes, enquanto ela me implorava:
- Com mais força, mais, mais, mais força! sso cabrão, dá-me, dá-me com força!
- Eu comecei a tomar-lhe o gosto, gradualmente fui aumentando a velocidade e a intensidade com que lhe batia. Quanto maior era a força com que eu lhe batia, mais ela implorava para que eu continuasse.
- Mais! Mais! Mais força!
- Sem saber como, qualquer coisa de assustador irrompeu do meu intimo, levando-me a agir daquela maneira que eu não conhecia. Rapidamente perdi o controle. A minha mão parecia ter ganho autonomia, já não era eu quem comandava. Dei por mim a esbofeteá-la violentamente, ela dizia que sim! é isso mesmo! Mais! Mais! pedia ela. Selvaticamente bati-lhe por todo o corpo, bofetão atrás de bofetão, cada vez com mais força. Ela estava com a respiração ofegante mas não manifestava qualquer sinal de dor. Eu tremia.
- Mais! Mais! Não pares! Mata-me! Mata-me! Gritava ela. Morre! Morre comigo! mata-me! mata-me já!
- Estávamos no limiar da loucura. Ela gemia e gritava cada vez mais alto. Eu tremia cada vez mais.
- Cala-te! cala-te! Morre, Morre! gritava eu, enquanto ela se torcia e contorcia debaixo de mim. O barulho e os gritos que saiam daquela casa passaram o limite do razoável, tentei impedi-la colocando-lhe a mão na boca, ao que ela reagiu deferindo-me uma violenta mordidela. Senti uma dor mas ao mesmo tempo um prazer novo. A minha mão continuava a bater. Naquele momento apetecia-me dar cabo dela, apetecia-me matá-la. Eu queria matá-la.
- Morre! Morre! Morre! gritava eu enquanto lhe apertava o pescoço. Nunca pudera imaginar. Naquele momento, senti uma liberdade plena, completamente isenta de qualquer hesitação ou embaraço que tantas vezes assombram os melhores dos amantes.
Os nossos corpos, estavam incontroláveis. Senti um arrepio de medo. A razão, lentamente voltara ao meu corpo. Senti-me de alma suja. Entre gemidos, estalos e bofetões, soltei um ultimo grito.
- NÃOOO! Pára!
De braços exaustos deixei-me cair postrado sobre o corpo dela. Ouvimos o silêncio. Ouvimo-nos respirar. Com muita dificuldade arrastámo-nos até à cama. Mal eu acabara de me deitar, ela fez-se rebolar para o chão. Também eu me fiz cair sobre ela. Eramos dois corpos exaustos numa casa praticamente destruída. A loucura deu lugar à harmonia e à tranquilidade. Coloquei cuidadosamente a minha cabeça sobre o maravilhoso rabo macio dela e esperei que o sono tomasse conta de mim. Adormeci.
Naquela noite tive um sonho lindo. Sonhei que ela gostava tanto de mim como eu gostava dela.
(extracto de "O Meu Amor é uma Cabra" de M.C. 1996)

14.4.08

Anjos Marginais - Ensaio


"Quem Não Tem Cão" recomenda:
“Anjos Marginais” a partir de textos de Bernardo Santareno, com encenação de João Ferrador dias 17,18,19,24,25,26 e 30 de Abril, 1,2,3,4,8,9 e 10 de Maio - 21.30h - Rua Barão de Sabrosa 93-97 Lisboa.
Com Francisco Areosa, Guilherme Barroso, João Pedro Dantas, Mafalda Matos, Maria Catarina Felgueiras, Miguel Nunes, Osvaldo Canhita e Ricardo Abril. Participação Especial de Adelaide João.

Casting - Quick Casting


Conforme comuniquei no ensaio da passada 4ª Feira, vamos receber a visita de uma representante da "Quick Casting" para fazer um casting de registo dos actores do Quem Não tem Cão.
A Quick Casting realiza castings para televisão, publicidade, teatro e cinema, e estão neste momento a actualizar a base de dados e a incluir actores (amadores e profissionais) para trabalhos futuros nestas áreas.
Assim quem estiver interessado é só aparecer na próxima Quarta Feira, 16 de Abril, pelas 20.30h no Cine Teatro de Rio Maior.
Para mais informações sobre a "Quick Casting" é só ir a:
PP.

7.4.08

Chuva de estrelas

Ela nunca me disse que estava apaixonada por mim, nunca disse que me amava! Antes pelo contrário, fugia sempre quando o momento pedia uma declaração de amor. Foram tantas as vezes que, em vão, fiquei à espera dum AMO-TE. Teria sido tão bom ouvir amo-te da boca dela, mesmo que fosse mentira…teria sido bom ouvir! Todos dizem que um bom entendimento na cama é fundamental para um relacionamento dar certo...Pelo menos esse ponto eu tinha a meu favor! Sim porque eu na cama sou 5 estrelas! 4!...3? Bem também não importa! Será que importa? Será que é só o que lhe importa? E se ela não gosta de mim! E se a nossa relação, do ponto de vista dela, for por puro sexo! Sexo puro e duro. Cabra! Cabra! Vaca! Oh! desilusão ...oh! mundo cruel... também se assim for “Caguei”...!
- Eu aceito o teu pedido de desculpa, mas isso agora já não muda nada. Respondi-lhe. Sabes o que é que me estava a apetecer? acrescentei.
- Se calhar o mesmo que a mim! Bolachas com pepitas de chocolate, verdade?
- Bolachas... ? interroguei. Por acaso não era nada disso.
- Pois a mim apetece-me bolachas com chocolate, muito chocolate. O chocolate é sexual! disse ela.
Naquele momento tive vontade de a mandar à “merda”, mas não! consegui controlar-me! Entrei na brincadeirinha dela.
- Chocolate! Huuuummmm!! que boooom! - Disse-lhe enquanto sugava o indicador da mão direita dela. O chocolate é estimulante... Só de pensar fico com vontade de ... Bem!...Sabes muito bem o que quero dizer!
- Queres dizer “foder” !Vá diz! não custa nada. Eu ajudo...F-O-D-E-R Soletrou ela, letra a letra com requintes de malvadez. Corei com a provocação. Eu sou daquele género de pessoa incapaz de dizer uma asneira, até as posso pensar, mas dizer... Sonso!
- Sabes que eu não gosto de dizer essas coisas!
- Vá lá! toda a gente diz... se as palavras existem é para serem ditas e “foder” não é asneira... é bom! e tu gostas muito de o fazer comigo!... além disso já tens idade para dizer um palavrão de vez em quando... ou não?
- Não sejas parva, não é nada disso… não é uma questão de idade!
- Vá lá, faz-me essa vontade e diz-me um palavrão! FODER! Diz que eu compenso-te… Já sei! Tu dizes “foder” e eu em troca ... faço-te uma coisa que tu adoras! Disse-me enquanto enfiava a mão bem ao meio das minhas pernas.
- “Foda-se”!... que és mesmo parva! - Saiu-me sem pensar. Corei.
- Disseste! Disseste! Parabéns ! Vês... não custou nada! O menino disse uma asneira! O menino disse uma asneira! Agora sim, tens direito ao merecido prémio!...
Fiquei furioso. Em menos de um milésimo de segundo caiu-me nos braços, e eu ai pude vingar-me. Entregámo-nos um ao outro com as "ganas"próprias de quem se entrega ao desejo de um corpo, ao desejo da carne. O que me interessava naquele momento era o corpo dela, como eu amava e desejava aquele corpo.Ela era minha, naquele momento aquele corpo era só meu.
Rebolámos pelo corredor, rastejámos pelo chão da cozinha, trepamos pelas prateleiras da dispensa, estivemos dentro do fogão de sala, partimos pratos e copos, derrubamos candeeiros, rasgamos cortinados, percorremos todas as divisões da casa num ritmo desenfreado. Alucinante! Mas foi na casa de banho, entre a sanita e o bidé, que em conjunto vimos estrelas, uma atrás da outra! estrelas cadentes por todo o lado. Foi lindo! um autentico fogo de artificio! Sabe tão bem ver um céu estrelado assim! Uma chuva de estrelas como esta, não é para quem quer, é para quem sabe fazer! E nós fizemo-lo muito bem!

(Excerto de "O Meu Amor é Uma Cabra" de M.C-1996)