Tudo começou com um sonho numa tarde de Inverno de 2004. Como todos os sonhos, este também tem sido feito de persistencia, teimosia e muito querer! "Quem Não Tem Cão..." caça com um gato, foi o que fizemos! e o melhor...? o melhor ainda está para vir! RG
28.11.08
RECADO
24.11.08
4º Encontro do projecto "mulheres e o cancro da mama"

Não posso contar pormenores sobre a peça, mas posso contar que há determinados momentos em que o nosso comandante diz ‘Vocês são mesmo mulheres, esqueçam lá esses pormenores’. Ihihihih! E claro que depois é risota pegada! Já temos piadas muito nossas e a cumplicidade cresce de dia para dia. E tudo porque um advogado que adora teatro ousou sonhar e concretizar o sonho. Mais um, entre muitos. E nós, com mais ou menos queda para o palco, ali estamos todas juntas, cada vez mais unidas, para divulgar - a quem nos queira ouvir – tudo o que há a saber sobre o cancro da mama. A descoberta, os medos, as cirurgias, os tratamentos, os relacionamentos, o que muda nas nossas vidas. Tudo. Sem tabus nem estigmas. Porque é de peito aberto que se enfrentam os maiores combates das nossas vidas.
E foi de peito aberto que a Nelinha, a Aldinha e a Tilinha falaram à RTP sobre os seus casos de cancro. Adorei ouvi-las. Estavam – elas são! – lindas. E passaram a mensagem de positivismo, esperança e altruísmo que deve reger as nossas vidas. Com ou sem casos de cancro. Parabéns, minhas amigas, e parabéns à RTP por estar atenta e não deixar cair no esquecimento uma doença a que todos precisamos de estar atentos. Prevenção, prevenção, prevenção!
Parabéns à RTP, à Associação Projecto Luz (está nos links ali à direita), a quem pratica voluntariado e a esta peça de teatro concebida pelo Rui Germano. Juntos somos mais fortes. Alguém duvida?
Um beijo enorme! E obrigada pela ginginha e pelo bolo-rei hoje em Rio Maior. Caíram que nem ginjas!"
Viveiro de Loucos
20.11.08
As nossas Mulheres do Projecto "Mulheres e o cancro da mama" no telejornal de Domingo 23 Novembro, 20h na RTP 1
17.11.08
Projecto "Mulheres e o Cancro da Mama" - 3º encontro.
Este projecto desde logo me pareceu muito interessante, capaz de chegar a um grupo vasto de pessoas e de poder desmistificar um pouco a temática do cancro de mama – sempre tão assustadora.
No entanto, a minha própria participação afigurou-se-me uma escolha pobre: não sou actriz, não quero ser. E para além de não ter apetência, não tenho, decididamente, o jeito, porque de talento então nem é bom falar. Esta temática poderia ter sido desenvolvida, com o mesmo rigor e maior qualidade, por actrizes de verdade que, por certo, projectariam no público uma teia de emoções e uma mensagem igualmente eficazes.
E este senão foi, desde o início, o meu calcanhar de Aquiles. A minha resistência interior em estar a fazer uma coisa para a qual não sou dotada, que faço com esforço, que não gosto de fazer e que sei que não vai sair com qualidade... Perguntarão: Então, o que estavas a fazer ali? Boa pergunta! Tenho-a feito todos os domingos, ou melhor, todos os dias. Porque aquele convívio é muito saudável, porque gosto muito de estar com aquelas amigas e porque acredito no projecto e porque fiquei à espera (tal como a assistente de produção me sugeriu) do clique.
E ontem apareceu a Zélia e eu, finalmente, percebi - com o coração – porque estou (estamos) ali. A Zélia está a começar o processo: vai ser operada em breve, ainda não sabe o que o futuro lhe ditará. O importante não é o teatro. O importante não é aparecermos nos jornais. O importante nem sequer é o público encarado de uma forma anónima. O importante, ontem, foi aquela pessoa. E o importante, em cada dia, em cada representação, será uma pessoa, outra pessoa... Pessoas que, tal como nós, vivem o choque, vivem o medo, vivem a desilusão, vivem a força, vivem a alegria, vivem a esperança. Estão a procurar o apoio onde colocar os pés para permanecerem levantadas. E a essas temos muito a dizer. E a todas as que, no futuro, tiverem que lidar com esta doença também. E a todas que têm ou terão familiares ou amigos com ela.
Temos a dizer-lhes do nosso choque, do nosso medo, da nossa desilusão, da nossa força, da nossa alegria e da nossa esperança. E isso pode fazer toda a diferença...
Obrigada por terem esperado por mim. Agora estou de corpo e alma inteiros convosco e foi ontem, Comandante, foi ontem que se deu o clique!
RECADO
10.11.08
Beijos, abraços e um silencio

Eu costumava dizer que tinha um único vicio: O de conhecer e descobrir pessoas e coleccionar amizades. O Teatro deu-me alguns bons amigos que amo como familia. Mas nos últimos tempos dou por mim com pouca disponibilidade (não sei se vontade também) para conhecer novas “personagens” e com menos tempo ainda, para passar com os amigos que fui “coleccionando” durante todos estes anos. Eu não gosto disso!
5.11.08
Viveiro de Loucos
4.11.08
2.11.08
Projecto "MULHERES" no Correio da Manhã - "Experiencias de sobreviventes vão transformar-se em peça"
"São mulheres que têm pelo menos duas coisas em comum: todas venceram o cancro da mama e nenhuma tem experiência de palco.Nas tardes de domingo juntam-se no Cineteatro Casimiros, em Rio Maior, para falar abertamente sobre a sua experiência e encenar uma peça de teatro em que a doença é o assunto central.Esta "ideia" está a ser desenvolvida pela oficina de artistas Quem não tem Cão, de Rio Maior. "A partir dos relatos de cada mulher, vamos ficcionar uma história, que no final não será a história concreta de nenhuma delas, mas uma em que todas se revejam", explica ao CM Rui Germano, principal dinamizador do projecto, acrescentando não querer trabalhar com actrizes, apenas com mulheres que sintam na pele o drama do cancro da mama. Perante "um desafio enorme", o próprio ainda não sabe o que vai apresentar, mas diz sentir-se "muito confiante, pois o grupo mostra estar bastante motivado".
Ao primeiro encontro, há duas semanas, vieram oito mulheres. Antes do segundo, a novidade espalhou-se nos blogues e apareceram várias caras novas, o que deu grande alento a Rui Germano, que está curioso quanto ao número de participantes que vai conseguir reunir. Nos ensaios, divididos em duas partes, não há formalidades. Primeiro, as mulheres sobem ao palco e conversam abertamente sobre a doença. Sem segredos ou preconceitos, relatam na primeira pessoa o medo que as invadiu no momento da descoberta e a angústia de contar à família.
As técnicas de expressão e representação chegam num segundo momento do ensaio, onde se trabalha um esboço de texto, ainda incipiente. "Muitos dos exercícios feitos em teatro vasculham a intimidade das pessoas, têm a ver com o abrir de caixas, com o dar a conhecer fragilidades que nos assustam", sustenta Rui Germano, para quem "é neste sentido que o projecto pode ser extremamente enriquecedor para quem nele participar".
DETALHES
ESTREIA POR DEFINIR
Rui Germano ainda não tem data de estreia para a peça.
ÂMBITO NACIONAL
O projecto reúne mulheres de Rio Maior, Lisboa, Caldas da Rainha e Ovar, mas encontra-se aberto à participação de quem pretender fazer parte dele.
DE OVAR PARA RIO MAIOR
Laurinda Almeida é quem se desloca de mais longe, pois reside em Ovar. "Senti-me bastante à vontade, pois falámos de uma realidade pela qual todas passámos", disse ao CM."
31.10.08
28.10.08
Gosto Tanto de Ti
- Se me quiseres encontrar sabes onde me procurar.
Levei a minha atitude até ao fim. Respondi-lhe que o meu número de telefone também continuava o mesmo, até lho relembrei, soletrando dígito a dígito. Conforme ia pronunciando os algarismos que compunham o meu número de telefone, na minha cabeça ia-se formando a convicção de que a estava a perder. E tudo por causa do narigudo! A minha voz, número após número, foi-se sumindo. Foi de tal forma que os dois últimos algarismos já só foram murmurados -6, 8...6 … 6…6…6…6 repeti.
Ela saiu. Aguardei sem nada fazer seguindo-a com o olhar. Convenci-me que ela não tinha coragem para me abandonar ali, daquela maneira. Ao passar pela porta parou. Eu libertei o ar que tinha aprisionado no meu peito. Voltei a respirar. Ela estava ali parada diante da porta de costas para mim. Ela tinha reconsiderado. Que alívio! Não consegui disfarçar uma alegria interior que se manifestava nos meus olhos que não mentem. Eu não a tinha perdido. Ela amava-me! Amava-me! Sempre soubera que sim. Lentamente virou o rosto, o lindo rosto que tinha. De cabeça baixa olhou em direcção da mesa do canto, onde eu permanecia e onde sempre havíamos tomado, ela, um café, eu, um chá preto. Olhou-me duma forma que eu não lhe conhecia. Vejo-lhe o verde dos olhos. Os lábios dizem qualquer coisa que não percebo e num apressado e único passo de gigante, saiu.
Só e na mesa do café do costume, verti a primeira lágrima das muitas que viria a chorar mais tarde. Na recordação dos olhos dela li agora, adeus!
Não consegui sair dali. Eu queria ir atrás dela mas não consegui. Sentia-me como se tivesse mil quilos, não me conseguia levantar da cadeira. Ela tinha de voltar! O nosso amor... o meu amor, tinha de ser superior a uma birrinha estúpida de quem está simplesmente loucamente apaixonado. Tinha de ser! Eu sabia que a qualquer momento ela ia entrar por aquela porta e pedir-me desculpa. Eu sabia! Ela amava-me! Eu amava-a! Não nos podíamos separar assim, a nossa história não podia acabar mal. Todas as histórias de amor acabam bem. As princesas boas casam com os príncipes encantados, vão viver para magníficos castelos de duas torres, onde têm muitos filhos e vivem felizes para sempre. Eu naquele momento, não desejava casamento nem filhos nem castelos com muitos criados, só a queria a ela. Enquanto esperava pelo seu regresso montada num cavalo branco, peguei na caneta, num guardanapo de papel fino e escrevi o que não tive tempo, nem coragem de lhe dizer:
As coisas que eu tenho!
Tenho tantas coisas, mas o que mais queria não tenho!
Tenho uma camisola vermelha quase rota, com que costumo dormir de Inverno, um disco que nunca ouvi e outro, com que quase sempre adormeço.
Tenho um sinal no queixo que me irrita, a fotografia de um gato preto que morreu de velho e guardo na carteira ao lado do B.I.. Tenho saudades do gato, pena de mim e dores nos joelhos quando muda o tempo.
Tenho saudades da chuva quando é Verão, do sol quando faz frio e de que gostem de mim como eu gosto de ti.
Tenho um álbum de fotografias de amigos que vejo quase todos os dias e vontade de rir quando me revejo nelas. Sofro da doença de gostar e tenho medo.
Tenho dores de cabeça quando penso em ti e não te vejo e, tenho dores de cabeça quando estou contigo e tu não dizes que gostas de mim. Tenho uma torradeira que não funciona e uma coluna de som na casa de banho, para quando tomo longos banhos de imersão. Tenho muitos amigos que gostam de mim, outros tantos que nem por isso, e a dúvida de que alguém goste de mim como eu gosto de ti.
Tenho uma casa pequenina com uma janela grande na sala de onde se avista o Tejo, um quadro na parede pintado por mim, que nunca assinei e um galo de Barcelos em cima do baú onde guardo as mais gratas recordações. Tenho bons princípios e uma cama quase sempre vazia. Tenho sonhos eróticos de vez em quando e uma tablete de chocolate amargo na gaveta da mesa-de-cabeceira, para comer nos dias em que tenho insónias. Tenho um livro que nunca acabarei de ler e outro que já li 3 vezes. Tenho uma paixão por azul, embora também goste muito de verde. Tenho um carro que anda, uns lábios carnudos e uma mãe encantadora que raramente vejo e me telefona sempre nas horas em que estou carente de afecto.
Tenho tanta coisa a que não ligo nem pedi, e o que mais quero não tenho!
Tenho pena de mim por ser quem sou, por um dia ter permitido ao meu coraçãozinho grande, encher-se de alegria por te ver. Tenho saudades de ser quem fui e desejo de te ter sempre aqui ao pé de mim. Mas sei que não pode ser! Porque tu... Tu tens mais que fazer do que gostar de mim como eu gosto de ti.
Gosto tanto de ti!
27.10.08
Projecto "Mulheres e o Cancro da Mama" - 2º encontro
Foto: Tó VieiraOntem, Domingo, realizou-se o 2º encontro do projecto “mulheres” com broas (obrigado Cristina) Pão de Ló (obrigado Cinda) café e entrevistas para o Correio da Manhã! Este projecto começa a chamar a atenção da comunicação social, o que aumenta em muito a nossa responsabilidade. Primeiro a visita do Jornal Expresso – no Domingo passado - agora o Jornal Correio da Manhã, e ainda vamos só no segundo encontro.
Foi bom receber a visita de caras novas. Refiro-me à Cinda – que veio de Ovar com o seu maravilhoso Pão de Ló e um presentinho muito simpático que fez questão de oferecer a todos. A querida Lou, que brevemente regressará a Angola, sua terra, uma vez que está no fim dos tratamentos que ainda a vão prendendo por cá.
Neste Domingo, tivemos assistência pela primeira vez, o que ao principio – confesso - me estava a deixar um bocadinho nervoso, mas passou logo!
Ontem percorremos todas as fases da doença, desde a descoberta, passando pelas primeiras consultas, a operação, os tratamentos, enfim, por todas as etapas do cancro. No fim dos vários testemunhos, definimos o ponto de partida daquele que será o “esqueleto “ da peça a apresentar no fim destes encontros de tons rosa – que, como já se percebeu naquelas conversas, tem muitas outras tonalidades, às vezes propositadamente escondidas! Umas mais carregadas outras nem por isso.
Até definirmos o alinhamento final, muita coisa vai ser experimentada, abandonada e ou adicionada. É bom podermos discutir o que cada um gostaria de ver ali retratado, mas melhor ainda, vai ser quando conseguirmos superar aquelas que se apresentam agora, como dificuldades. Existem muitos desafios ali. E são esses múltiplos desafios, que fazem deste projecto algo tão único e especial. A ideia não é relatar na primeira pessoa o testemunho de cada uma das participantes. Isso faz-se um pouco por todo o lado, quer na net, através de blogues, sites, quer nos encontros e ou sessões de esclarecimentos sobre a doença, que felizmente se vão fazendo um pouco por todo o lado. Mas a nós, é-nos exigido um pouco mais que isso! A “peça” a apresentar dirige-se a um público muito diversificado, e não exclusivamente para quem foi, directa ou indirectamente apanhado por esta doença. Pelo que a linguagem utilizada terá de ser mais teatral, mais trabalhada do que uma mera, mas sempre difícil exposição da nossa intimidade. Este é o nosso desafio! Como o vamos agarrar e superar, ainda não sei. O que sei neste momento é que está tudo em aberto, e que conto com a generosidade e empenho de todas as que se dispuseram a entrar neste projecto para me ajudarem a transformar as dificuldades de cada uma, em oportunidades de nos superarmos a nós mesmos, e quem sabe, ajudar, esclarecer alguem que passa ou poderá vir a passar pelo mesmo! Este sim será o objectivo final deste projecto que já não me deixa dormir.
Durante duas semanas vamos interromper os encontros de grupo, para nos podermos dedicar ao texto e descoberta do que cada uma, quer colocar de seu ali. Retomamos os trabalhos a 16 de Novembro, espero que cheios de vontade de fazer o que parece impossível! Porque o melhor… o melhor ainda está seguramente para vir.
Até lá!
21.10.08
Tons Rosa - Projecto "Mulheres e o cancro da mama" - 1º encontro

16.10.08
O PALCO





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