28.11.08

RECADO

- ESTE DOMINGO, O HORÁRIO DO HABITUAL ENCONTRO DO PROJECTO "MULHERES E O CANCRO DA MAMA" FOI ANTECIPADO PARA AS 10.00H.
- EXCEPCIONALMENTE, ESTE FIM DE SEMANA SERÁ UM ENCONTRO/ENSAIO À PORTA FECHADA e em local secreto.
- RETOMAMOS OS ENSAIOS - ABERTOS A TODOS - NA PRÓXIMA SEMANA.
RG

24.11.08

4º Encontro do projecto "mulheres e o cancro da mama"


Foto: Tó Vieira
O texto infra foi retirado do Blog da Carlinha em: http://bichinhofazdeconta.blogs.sapo.pt/


"Hoje foi mais um dia de ensaio em Rio Maior para o Projecto ‘Mulheres’. Há momentos em que todas nos emocionamos. Muito. Cenas em que os abraços não são teatro, são sentidos. Tão sentidos que contemos as lágrimas. Depois, para desanuviar, também atiramos as nossas piadas. Porque a vida é alegria. E é uma alegria cá estarmos. O nosso encenador, um homem entre mulheres, às vezes fica de boca aberta a olhar para nós e quase que podemos ler o seu pensamento: ‘Ai, mulheres! No que eu me fui meter!’ Ihihihihih!

Não posso contar pormenores sobre a peça, mas posso contar que há determinados momentos em que o nosso comandante diz ‘Vocês são mesmo mulheres, esqueçam lá esses pormenores’. Ihihihih! E claro que depois é risota pegada! Já temos piadas muito nossas e a cumplicidade cresce de dia para dia. E tudo porque um advogado que adora teatro ousou sonhar e concretizar o sonho. Mais um, entre muitos. E nós, com mais ou menos queda para o palco, ali estamos todas juntas, cada vez mais unidas, para divulgar - a quem nos queira ouvir – tudo o que há a saber sobre o cancro da mama. A descoberta, os medos, as cirurgias, os tratamentos, os relacionamentos, o que muda nas nossas vidas. Tudo. Sem tabus nem estigmas. Porque é de peito aberto que se enfrentam os maiores combates das nossas vidas.

E foi de peito aberto que a Nelinha, a Aldinha e a Tilinha falaram à RTP sobre os seus casos de cancro. Adorei ouvi-las. Estavam – elas são! – lindas. E passaram a mensagem de positivismo, esperança e altruísmo que deve reger as nossas vidas. Com ou sem casos de cancro. Parabéns, minhas amigas, e parabéns à RTP por estar atenta e não deixar cair no esquecimento uma doença a que todos precisamos de estar atentos. Prevenção, prevenção, prevenção!

Parabéns à RTP, à Associação Projecto Luz (está nos links ali à direita), a quem pratica voluntariado e a esta peça de teatro concebida pelo Rui Germano. Juntos somos mais fortes. Alguém duvida?

Um beijo enorme! E obrigada pela ginginha e pelo bolo-rei hoje em Rio Maior. Caíram que nem ginjas!"
Mais sobre este dia em:
Reportagem da RTP em:

Viveiro de Loucos

Foto:Tó Vieira

No sábado, 22 de Novembro, "Quem Não Tem Cão" foi assistir à peça "Viveiro de Loucos" à Casa do Artista- Teatro Armando Cortez em Lisboa. Depois da peça ainda foi possivel dar um abraço ao Norberto e fazer esta foto de grupo. No regresso a Rio Maior - e uma vez que estavamos de autocarro só para nós - ainda deu para passar à frente da maior arvore de Natal da Europa e constatar que os Espanhois estão mesmo a invadir Portugal. No minimo passamos por 3 edificios do "El Corte Ingles" se não acreditam perguntem ao Tó Vieira.
RG

20.11.08

As nossas Mulheres do Projecto "Mulheres e o cancro da mama" no telejornal de Domingo 23 Novembro, 20h na RTP 1

Foto: Paulo Azevedo
A RTP soube do nosso projecto "mulheres e o cancro da mama" e agendou uma entrevista com 3 das mulheres que assumiram este desafio, que é o de se apresentarem como actrizes e partilharem com o público, uma história ficcionada, mas que se confunde um pouco com a história de vida de cada uma delas. As mulheres que dão a cara nesta entrevista são a Alda das Caldas da Rainha, a Manuela de Lisboa e a Otilia de Rio Maior. Oxalá as vossas palavras sirvam de animo e a vossa experiencia possa ajudar outras mulheres que passam, passaram ou irão passar pelo que voces já bem conhecem.
Bem hajam pela vossa coragem.
RG
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O texto que se segue foi retirado do Blog da Alda, em:http://viveroutravez.blogspot.com/
" Hoje recebi uma equipa da RTP para dar uma entrevista e que passará neste fim de semana sábado ou Domingo, no Canal 1 no decurso do Telejornal das 20 horas. A RTP mostrou interesse desde o início pelo nosso projecto (Mulheres e o Cancro da Mama)uma peça de Teatro que ensaiamos todos os Domingos em Rio Maior. Somos um grupo de Mulheres que vivemos o cancro da mama, e queremos passar o testemunho de Força e Esperança no futuro, e sensibilizar todas as Mulheres a fazerem o rastreio. É muito importante um diagnóstico na fase inicial da doença, e assim maior é a hipótese de cura.O nosso Encenador é o grande mentor deste Projecto! Mais informações no blog: http://equemnaotemcao.blogspot.comA estreia da peça deverá ser no início de Abril em Rio Maior. "

Infelizmente é verdade! Esta noite a nossa CASA, o nosso TEATRO foi assaltado!

17.11.08

Projecto "Mulheres e o Cancro da Mama" - 3º encontro.

Foto: Paulo Azevedo
FOI ONTEM...

Foi ontem, Comandante! Foi ontem que se deu o clique.
Este projecto desde logo me pareceu muito interessante, capaz de chegar a um grupo vasto de pessoas e de poder desmistificar um pouco a temática do cancro de mama – sempre tão assustadora.
No entanto, a minha própria participação afigurou-se-me uma escolha pobre: não sou actriz, não quero ser. E para além de não ter apetência, não tenho, decididamente, o jeito, porque de talento então nem é bom falar. Esta temática poderia ter sido desenvolvida, com o mesmo rigor e maior qualidade, por actrizes de verdade que, por certo, projectariam no público uma teia de emoções e uma mensagem igualmente eficazes.
E este senão foi, desde o início, o meu calcanhar de Aquiles. A minha resistência interior em estar a fazer uma coisa para a qual não sou dotada, que faço com esforço, que não gosto de fazer e que sei que não vai sair com qualidade... Perguntarão: Então, o que estavas a fazer ali? Boa pergunta! Tenho-a feito todos os domingos, ou melhor, todos os dias. Porque aquele convívio é muito saudável, porque gosto muito de estar com aquelas amigas e porque acredito no projecto e porque fiquei à espera (tal como a assistente de produção me sugeriu) do clique.
E ontem apareceu a Zélia e eu, finalmente, percebi - com o coração – porque estou (estamos) ali. A Zélia está a começar o processo: vai ser operada em breve, ainda não sabe o que o futuro lhe ditará. O importante não é o teatro. O importante não é aparecermos nos jornais. O importante nem sequer é o público encarado de uma forma anónima. O importante, ontem, foi aquela pessoa. E o importante, em cada dia, em cada representação, será uma pessoa, outra pessoa... Pessoas que, tal como nós, vivem o choque, vivem o medo, vivem a desilusão, vivem a força, vivem a alegria, vivem a esperança. Estão a procurar o apoio onde colocar os pés para permanecerem levantadas. E a essas temos muito a dizer. E a todas as que, no futuro, tiverem que lidar com esta doença também. E a todas que têm ou terão familiares ou amigos com ela.
Temos a dizer-lhes do nosso choque, do nosso medo, da nossa desilusão, da nossa força, da nossa alegria e da nossa esperança. E isso pode fazer toda a diferença...

Obrigada por terem esperado por mim. Agora estou de corpo e alma inteiros convosco e foi ontem, Comandante, foi ontem que se deu o clique!

Manuela Matias

RECADO

1- Dia 22 de Novembro - Sábado - vamos a Lisboa assistir à peça "Viveiro de Loucos" na Casa do Artista, cujo elenco conta com a participação do "nosso" Norberto Paulo. A partida - de autocarro - está marcada para as 19.30h, junto do largo da Camara Municipal. Podem ir todos os interessados desde que confirmem com qualquer um dos elementos do "Quem Não Tem Cão" ou aqui no blog, até à proxima 5ª Feira. Preço do bilhete 10€, que inclui viagem de ida e volta e bilhete para assistir ao espectáculo.
2- Os habituais encontros das Quartas Feiras dos "veteranos", durante o resto do mês de Novembro, passam a ser no nosso teatro - Cinema Casimiros - e não no Cine Teatro.
3- Às Quintas - a partir das 20.30h - e aos Domingos - a partir das 14.30h - quem quiser já pode passar pelo nosso espaço -Cinema Casimiros - e assistir a um ensaio/aula de teatro e ou tomar um café connosco.
RG

10.11.08

Beijos, abraços e um silencio


Eu adoro pessoas!
Eu costumava dizer que tinha um único vicio: O de conhecer e descobrir pessoas e coleccionar amizades. O Teatro deu-me alguns bons amigos que amo como familia. Mas nos últimos tempos dou por mim com pouca disponibilidade (não sei se vontade também) para conhecer novas “personagens” e com menos tempo ainda, para passar com os amigos que fui “coleccionando” durante todos estes anos. Eu não gosto disso!
Alguma coisa eu vou ter de mudar. Há muita coisa na vida, muito menos importante do que os amigos, que me faz perder muito mais tempo. Esta falta de tempo está-me a distanciar daqueles de quem gosto simplesmente porque sim! Daqueles de quem gosto nem sei porquê. Daqueles que gosto e ponto. Daqueles, que - sem pudor – retribuem a minha amizade e me fazem sentir um bocadinho especial.
Hoje gostamos mais em silêncio. Gostamos na recordação dum abraço. Nas gargalhadas que não apagamos da nossa memória. Num arrepio ao ouvir uma música que nos transporta para um momento feliz. Na lembrança de um beijo ou num apito que assinala a chegada de mais uma sms que nos diz "GOSTO MUITO DE TI". Hoje, não sendo um dia especial, apetece-me abraçar e beijar todos os meus amigos. E afinal que mal tem isso?

RG

5.11.08

Viveiro de Loucos

Amanhã 6 de Novembro, estreia a peça "Viveiro de Loucos" na Casa do Artista - Teatro Armando Cortez em Lisboa. Tal facto é motivo de orgulho para nós e claro tem de ser aqui publicitado. É que o "nosso" Norberto Paulo - que começou esta LOUCURA QUE É O TEATRO connosco - faz parte do elenco. Por isso, para o Norberto Paulo e restantes actores, técnicos, encenador... de todos nós, muita... mas muita mer.. ! Baldes...!
Nós vamos aparecer por ai um destes dias, para aplaudir e dar um grande abraço cheio de orgulho por saber que pertences à nossa familia. "Quem Não Tem Cão" começa a espalhar-se! Quem estiver interessado em ir ver a peça connosco, é só manifestar essa vontade a qualquer um dos elementos do grupo ou aqui no blog. Quantos mais para apoiar o Teatro e o Norberto melhor! Todos nunca seremos demais para apoiar um dos nossos!

Viva o Teatro e a capacidade de sonhar!

RG

2.11.08

Projecto "MULHERES" no Correio da Manhã - "Experiencias de sobreviventes vão transformar-se em peça"

"São mulheres que têm pelo menos duas coisas em comum: todas venceram o cancro da mama e nenhuma tem experiência de palco.Nas tardes de domingo juntam-se no Cineteatro Casimiros, em Rio Maior, para falar abertamente sobre a sua experiência e encenar uma peça de teatro em que a doença é o assunto central.
Esta "ideia" está a ser desenvolvida pela oficina de artistas Quem não tem Cão, de Rio Maior. "A partir dos relatos de cada mulher, vamos ficcionar uma história, que no final não será a história concreta de nenhuma delas, mas uma em que todas se revejam", explica ao CM Rui Germano, principal dinamizador do projecto, acrescentando não querer trabalhar com actrizes, apenas com mulheres que sintam na pele o drama do cancro da mama. Perante "um desafio enorme", o próprio ainda não sabe o que vai apresentar, mas diz sentir-se "muito confiante, pois o grupo mostra estar bastante motivado".
Ao primeiro encontro, há duas semanas, vieram oito mulheres. Antes do segundo, a novidade espalhou-se nos blogues e apareceram várias caras novas, o que deu grande alento a Rui Germano, que está curioso quanto ao número de participantes que vai conseguir reunir. Nos ensaios, divididos em duas partes, não há formalidades. Primeiro, as mulheres sobem ao palco e conversam abertamente sobre a doença. Sem segredos ou preconceitos, relatam na primeira pessoa o medo que as invadiu no momento da descoberta e a angústia de contar à família.
As técnicas de expressão e representação chegam num segundo momento do ensaio, onde se trabalha um esboço de texto, ainda incipiente. "Muitos dos exercícios feitos em teatro vasculham a intimidade das pessoas, têm a ver com o abrir de caixas, com o dar a conhecer fragilidades que nos assustam", sustenta Rui Germano, para quem "é neste sentido que o projecto pode ser extremamente enriquecedor para quem nele participar".
DETALHES
ESTREIA POR DEFINIR
Rui Germano ainda não tem data de estreia para a peça.
ÂMBITO NACIONAL
O projecto reúne mulheres de Rio Maior, Lisboa, Caldas da Rainha e Ovar, mas encontra-se aberto à participação de quem pretender fazer parte dele.
DE OVAR PARA RIO MAIOR
Laurinda Almeida é quem se desloca de mais longe, pois reside em Ovar. "Senti-me bastante à vontade, pois falámos de uma realidade pela qual todas passámos", disse ao CM."

João Nuno Pepino

28.10.08

Gosto Tanto de Ti

Ela não sabia o que me responder. Nitidamente embaraçada mas sem perder o porte altivo que sempre a acompanhava e lhe conferia um estatuto diferente de todas as outras mulheres que conheci, levantou-se. Antes de sair, num timbre de voz imperturbável disse-me:
- Se me quiseres encontrar sabes onde me procurar.
Levei a minha atitude até ao fim. Respondi-lhe que o meu número de telefone também continuava o mesmo, até lho relembrei, soletrando dígito a dígito. Conforme ia pronunciando os algarismos que compunham o meu número de telefone, na minha cabeça ia-se formando a convicção de que a estava a perder. E tudo por causa do narigudo! A minha voz, número após número, foi-se sumindo. Foi de tal forma que os dois últimos algarismos já só foram murmurados -6, 8...6 … 6…6…6…6 repeti.
Ela saiu. Aguardei sem nada fazer seguindo-a com o olhar. Convenci-me que ela não tinha coragem para me abandonar ali, daquela maneira. Ao passar pela porta parou. Eu libertei o ar que tinha aprisionado no meu peito. Voltei a respirar. Ela estava ali parada diante da porta de costas para mim. Ela tinha reconsiderado. Que alívio! Não consegui disfarçar uma alegria interior que se manifestava nos meus olhos que não mentem. Eu não a tinha perdido. Ela amava-me! Amava-me! Sempre soubera que sim. Lentamente virou o rosto, o lindo rosto que tinha. De cabeça baixa olhou em direcção da mesa do canto, onde eu permanecia e onde sempre havíamos tomado, ela, um café, eu, um chá preto. Olhou-me duma forma que eu não lhe conhecia. Vejo-lhe o verde dos olhos. Os lábios dizem qualquer coisa que não percebo e num apressado e único passo de gigante, saiu.
Só e na mesa do café do costume, verti a primeira lágrima das muitas que viria a chorar mais tarde. Na recordação dos olhos dela li agora, adeus!
Não consegui sair dali. Eu queria ir atrás dela mas não consegui. Sentia-me como se tivesse mil quilos, não me conseguia levantar da cadeira. Ela tinha de voltar! O nosso amor... o meu amor, tinha de ser superior a uma birrinha estúpida de quem está simplesmente loucamente apaixonado. Tinha de ser! Eu sabia que a qualquer momento ela ia entrar por aquela porta e pedir-me desculpa. Eu sabia! Ela amava-me! Eu amava-a! Não nos podíamos separar assim, a nossa história não podia acabar mal. Todas as histórias de amor acabam bem. As princesas boas casam com os príncipes encantados, vão viver para magníficos castelos de duas torres, onde têm muitos filhos e vivem felizes para sempre. Eu naquele momento, não desejava casamento nem filhos nem castelos com muitos criados, só a queria a ela. Enquanto esperava pelo seu regresso montada num cavalo branco, peguei na caneta, num guardanapo de papel fino e escrevi o que não tive tempo, nem coragem de lhe dizer:

As coisas que eu tenho!
Tenho tantas coisas, mas o que mais queria não tenho!
Tenho uma camisola vermelha quase rota, com que costumo dormir de Inverno, um disco que nunca ouvi e outro, com que quase sempre adormeço.
Tenho um sinal no queixo que me irrita, a fotografia de um gato preto que morreu de velho e guardo na carteira ao lado do B.I.. Tenho saudades do gato, pena de mim e dores nos joelhos quando muda o tempo.
Tenho saudades da chuva quando é Verão, do sol quando faz frio e de que gostem de mim como eu gosto de ti.
Tenho um álbum de fotografias de amigos que vejo quase todos os dias e vontade de rir quando me revejo nelas. Sofro da doença de gostar e tenho medo.
Tenho dores de cabeça quando penso em ti e não te vejo e, tenho dores de cabeça quando estou contigo e tu não dizes que gostas de mim. Tenho uma torradeira que não funciona e uma coluna de som na casa de banho, para quando tomo longos banhos de imersão. Tenho muitos amigos que gostam de mim, outros tantos que nem por isso, e a dúvida de que alguém goste de mim como eu gosto de ti.
Tenho uma casa pequenina com uma janela grande na sala de onde se avista o Tejo, um quadro na parede pintado por mim, que nunca assinei e um galo de Barcelos em cima do baú onde guardo as mais gratas recordações. Tenho bons princípios e uma cama quase sempre vazia. Tenho sonhos eróticos de vez em quando e uma tablete de chocolate amargo na gaveta da mesa-de-cabeceira, para comer nos dias em que tenho insónias. Tenho um livro que nunca acabarei de ler e outro que já li 3 vezes. Tenho uma paixão por azul, embora também goste muito de verde. Tenho um carro que anda, uns lábios carnudos e uma mãe encantadora que raramente vejo e me telefona sempre nas horas em que estou carente de afecto.
Tenho tanta coisa a que não ligo nem pedi, e o que mais quero não tenho!
Tenho pena de mim por ser quem sou, por um dia ter permitido ao meu coraçãozinho grande, encher-se de alegria por te ver. Tenho saudades de ser quem fui e desejo de te ter sempre aqui ao pé de mim. Mas sei que não pode ser! Porque tu... Tu tens mais que fazer do que gostar de mim como eu gosto de ti.
Gosto tanto de ti!
(excerto de "O meu amor é uma cabra" de MC 1996)

27.10.08

Projecto "Mulheres e o Cancro da Mama" - 2º encontro

Foto: Tó Vieira

Ontem, Domingo, realizou-se o 2º encontro do projecto “mulheres” com broas (obrigado Cristina) Pão de Ló (obrigado Cinda) café e entrevistas para o Correio da Manhã! Este projecto começa a chamar a atenção da comunicação social, o que aumenta em muito a nossa responsabilidade. Primeiro a visita do Jornal Expresso – no Domingo passado - agora o Jornal Correio da Manhã, e ainda vamos só no segundo encontro.
Foi bom receber a visita de caras novas. Refiro-me à Cinda – que veio de Ovar com o seu maravilhoso Pão de Ló e um presentinho muito simpático que fez questão de oferecer a todos. A querida Lou, que brevemente regressará a Angola, sua terra, uma vez que está no fim dos tratamentos que ainda a vão prendendo por cá.
Neste Domingo, tivemos assistência pela primeira vez, o que ao principio – confesso - me estava a deixar um bocadinho nervoso, mas passou logo!
Ontem percorremos todas as fases da doença, desde a descoberta, passando pelas primeiras consultas, a operação, os tratamentos, enfim, por todas as etapas do cancro. No fim dos vários testemunhos, definimos o ponto de partida daquele que será o “esqueleto “ da peça a apresentar no fim destes encontros de tons rosa – que, como já se percebeu naquelas conversas, tem muitas outras tonalidades, às vezes propositadamente escondidas! Umas mais carregadas outras nem por isso.
Até definirmos o alinhamento final, muita coisa vai ser experimentada, abandonada e ou adicionada. É bom podermos discutir o que cada um gostaria de ver ali retratado, mas melhor ainda, vai ser quando conseguirmos superar aquelas que se apresentam agora, como dificuldades. Existem muitos desafios ali. E são esses múltiplos desafios, que fazem deste projecto algo tão único e especial. A ideia não é relatar na primeira pessoa o testemunho de cada uma das participantes. Isso faz-se um pouco por todo o lado, quer na net, através de blogues, sites, quer nos encontros e ou sessões de esclarecimentos sobre a doença, que felizmente se vão fazendo um pouco por todo o lado. Mas a nós, é-nos exigido um pouco mais que isso! A “peça” a apresentar dirige-se a um público muito diversificado, e não exclusivamente para quem foi, directa ou indirectamente apanhado por esta doença. Pelo que a linguagem utilizada terá de ser mais teatral, mais trabalhada do que uma mera, mas sempre difícil exposição da nossa intimidade. Este é o nosso desafio! Como o vamos agarrar e superar, ainda não sei. O que sei neste momento é que está tudo em aberto, e que conto com a generosidade e empenho de todas as que se dispuseram a entrar neste projecto para me ajudarem a transformar as dificuldades de cada uma, em oportunidades de nos superarmos a nós mesmos, e quem sabe, ajudar, esclarecer alguem que passa ou poderá vir a passar pelo mesmo! Este sim será o objectivo final deste projecto que já não me deixa dormir.
Durante duas semanas vamos interromper os encontros de grupo, para nos podermos dedicar ao texto e descoberta do que cada uma, quer colocar de seu ali. Retomamos os trabalhos a 16 de Novembro, espero que cheios de vontade de fazer o que parece impossível! Porque o melhor… o melhor ainda está seguramente para vir.
Até lá!

RG
Este Domingo por quem lá esteve:

Casting - " Dog Family" banda residente do "Quem Não Tem Cão" procura vocalista!


21.10.08

Tons Rosa - Projecto "Mulheres e o cancro da mama" - 1º encontro


Beta, Cacilda (minha Frô), Nela, Cristina, Carla, Alda e Rosa.
Eu gostava de escrever muitas coisas sobre o 1º encontro do projecto "mulheres" que aconteceu este Domingo passado, mas neste momento não sei o que escrever. Eu queria que todos tivessem tido a oportunidade, que eu tive, de assistir a tudo o que se disse e passou ali.
Sei que tudo o que possa escrever aqui, será sempre pouco e muito redutor, face à grandeza das experiencias e emoções que ali se partilharam. Afecto, humildade, disponibilidade, solidariedade e amor. Uma forma de amor diferente. Um amor que não se explica mas sente nas palavras e nos olhares. Uma cumplicidade.
Estas mulheres revelaram ser muito especiais e mostraram isso sem medo ou pudor!
Ali, naquele palco preto e mal iluminado, estas mulheres apresentaram-se nuas, sem defesas!
Apresentaram-se como são de verdade. Completas!
Eu estou muito orgulhosos de as ter conhecido e de me terem permitido participar neste momento!
Obrigado de verdade.
RG
Este Domingo por quem lá esteve:

16.10.08

O PALCO

Para quem ainda não se apercebeu, o nosso palco já não parece o mesmo!
Retiramos a enorme tela, ganhamos espaço. Limpamos, varremos e retiramos muitas caixas de papelão, pó e lixo que estavam ali há muitos anos. Na Segunda Feira o Alexandre e o Gonçalo, acabaram o que já haviamos começado no Sábado. É bom entrar ali e ver que alguma coisa muda/melhora todos os dias. Cada semana que passa alguma coisa se transforma por ali. O nosso palco está (agora) pintado de preto e isso faz muita diferença! Obrigado Alex e Gonçalo pela ajuda com os pinceis e rolos. A tinta preta não foi barata - nada mesmo - mas foi um bom investimento. O palco ficou mesmo bom!
Agora só falta arranjar o chão... depois luzes, focos, projectores... depois equipamento de som...depois... depois... depois...!!
Falta tanta coisa ainda!
Alguem pode ajudar e informar onde se encontra este equipamento a bom preço?
É que dinheiro, ao contrario dos sonhos, não abunda por aqui!
RG