- Podem ficar aqui? Perguntou o homem do taxi.
- É aqui? É aqui que moras?- Perguntou ela. Respondi-lhe que sim. Pedi-lhe para me ajudar a sair. Pagou o taxi. Como menina bem educada e atenciosa subiu comigo. Convidei-a a entrar. Ela aceitou. Já em casa sentámo-nos no sofá da sala.A custo, tentei escolher uma música agradável, ia ser a nossa primeira musica. A musica do nosso primeiro encontro a sério. Exigiam-se cuidados redobrados na escolha.
- Está muito calor não está?
- Sim é verdade, está muito calor. - Respondi-lhe.
My way. A Voz! Exclamou ela. Quietos, ficamos a ouvir, eu sentado no sofá e ela sentada ao meu lado. Estava tudo perfeito não fosse aquela sensação estranha de parecer que tinha comido papel... língua de cortiça! Vou beber um copo de água gelada. Não há nada melhor para matar a sede do que um copo de água gelada. Queres?
-Um beijo...? Quero que me beijes! Respondeu-me ela.
- Um beijo murmurei eu. Ela era rápida e isso agradava-me! Abençoado Frank! Os meus joelhos tremiam um bocadinho. Devia ser dos efeitos secundários do álcool. Descontrai, descontrai, vá! vá! beija! beija! Este não é o teu primeiro beijo porquê tantos nervos! Pensava eu enquanto aquela boca deliciosa se aproximava da minha. Ela aproximava-se num movimento tipo câmara lenta. Pelo menos era o que me parecia. Uma tortura. Eu sentia a minha boca cada vez mais seca. Finalmente um toque e logo a seguir o Beijo!
A minha cabeça ficou vazia. Senti-me leve. Não foi um beijo qualquer, foi o nosso primeiro beijo. Aquele momento foi muito mais do que um primeiro contacto sensual de duas pessoas que se tocam pela primeira vez, foi muito mais do que o sentir dos lábios. O nosso primeiro beijo foi pura emoção.
Pela primeira vez experimentei beijar alguém que amava. Era uma sensação única que não conseguia explicar. A minha alma encheu-se de vida. Aquele beijo foi especial, muito mais intenso do que todos os beijos que já dera antes. O nosso 1º beijo foi tão especial que nem à hora da morte esquecerei um beijo assim.
Estaria a sonhar? Perguntava-me baixinho. Bastou-me contudo abrir os olhos por um momento para perceber que não. Era verdade. Ela estava mesmo ali a beijar-me. Mesmo assim belisquei-a para tirar a prova dos nove.
- Aiiiiiiiiiii! Disse ela. – Ok. Não subsistiam mais dúvidas. Era mesmo verdade! A minha Lindinha, em carne e osso, estava ali comigo e era sensível ao meu toque. Aquele Aiiiiiii! Não o desmentia. O corpo que desejava há tanto tempo esmagava-se agora contra o meu num forte e vigoroso abraço. Os nossos corpos começavam a contorcer-se, inicialmente em movimentos lentos, depois…descontrolados. Entre beijos e carinhos fundimo-nos num só corpo. As minhas mãos descobriam todas as curvas e contra curvas daquele corpo.
Foi ali, com a boca encortiçada que descobri o melhor que existe dentro de mim. A capacidade de Amar. De amar incondicionalmente. Era assim que eu a amava.
Pela primeira vez na minha vida os meus lábios pronunciaram a palavra Amo-te.
-Amo-te!
Eu tinha sido verdadeiro. Humano. Sem qualquer receio de parecer ridículo ou frágil. Amo-te…! amo-te…! amo-te…! Repeti insistentemente enquanto nos beijava-mos.
Durante algum tempo nada mais dissemos. Apesar de não o demonstrar, eu esperava uma resposta da parte dela. Em verdade eu não lhe tinha perguntado nada, só lhe dizia amo-te! Mas achava que tanta sinceridade da minha parte merecia uma resposta do genero: Eu também te amo.
Mas não. Sem nada dizer, limitou-se a apertar-me com os braços com toda a sua força. Era como se receasse perder-me. Enrolamo-nos de forma a conseguirmos tocar todas as partes do nosso corpo. Eu correspondia à sua plena oferta, enquanto ela, cada vez se envolvia mais no meu corpo. Apesar das dúvidas e receios acerca dos seus reais sentimentos, decidi aproveitar aquele momento como se fosse o ultimo. Naquela madrugada, nos braços dela fui feliz como nunca tinha sido antes e senti aquela felicidade que só quem ama conhece.
(Fragmento de "O Meu Amor É Uma Cabra" de M.C. 1996)